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Relatórios GRI e asseguração independente: quando transparência precisa se transformar em confiança

  • há 3 horas
  • 6 min de leitura

A publicação de relatórios de sustentabilidade evoluiu significativamente nos últimos anos. O que antes era compreendido, em muitas organizações, principalmente como um instrumento de comunicação institucional passou a integrar estruturas mais amplas de governança, gestão de impactos e prestação de contas aos stakeholders. Nesse contexto, as Normas GRI consolidaram-se como uma das principais referências internacionais para o reporte dos impactos das organizações sobre a economia, o meio ambiente e as pessoas.


Essa evolução também amplia a responsabilidade associada às informações divulgadas. À medida que indicadores e compromissos de sustentabilidade passam a subsidiar decisões de investidores, instituições financeiras, clientes, fornecedores, órgãos reguladores e demais partes interessadas, questões relacionadas à qualidade, consistência, rastreabilidade e confiabilidade dessas informações assumem uma dimensão cada vez mais estratégica. É nesse cenário que a asseguração independente se torna um componente relevante para a maturidade do reporte de sustentabilidade, considerando que reportar é uma etapa e assegurar é outra.


A elaboração de um relatório alinhado às Normas GRI envolve uma estrutura robusta de identificação e reporte de impactos, definição de temas materiais, coleta e consolidação de informações, aplicação de critérios e organização das evidências que sustentam as divulgações realizadas. Esse processo pode envolver diferentes áreas internas e, frequentemente, o suporte de consultorias especializadas. O trabalho consultivo possui importância significativa nesse contexto, seja no desenvolvimento da estratégia de sustentabilidade, na estruturação de processos e indicadores, na aplicação das Normas GRI ou na própria elaboração do relatório.


A asseguração independente possui uma finalidade distinta. Enquanto a consultoria pode apoiar a organização na construção e no aprimoramento de seus processos e reportes, a asseguração exige independência para avaliar as informações divulgadas e as evidências que lhes dão suporte. Essa separação de responsabilidades é fundamental para preservar a imparcialidade da avaliação e, consequentemente, ampliar a confiança dos usuários nas informações reportadas.


Portanto, consultoria e asseguração não devem ser compreendidas como atividades concorrentes, mas como funções distintas e complementares dentro de uma estrutura madura de reporte e governança da sustentabilidade.


Um relatório tecnicamente estruturado pode apresentar indicadores consistentes, compromissos relevantes e uma narrativa clara sobre os impactos e a atuação da organização. No entanto, à medida que essas informações passam a ser utilizadas por terceiros em processos decisórios, torna-se igualmente relevante compreender quais controles, registros, metodologias e evidências sustentam aquilo que foi divulgado.


É nesse ponto que a asseguração agrega uma camada adicional de confiança ao reporte. O processo permite avaliar, de maneira independente e sistemática, as informações submetidas à asseguração e as evidências associadas a elas, considerando critérios previamente estabelecidos e procedimentos compatíveis com o escopo do trabalho.


Essa avaliação também contribui para identificar oportunidades de amadurecimento relacionadas à governança das informações de sustentabilidade. Questões como rastreabilidade dos dados, definição de responsabilidades, formalização de metodologias, manutenção de evidências e consistência dos controles internos tornam-se particularmente relevantes quando as informações precisam ser verificáveis e sustentadas por registros adequados.


Nesse sentido, a asseguração não deve ser compreendida apenas como uma validação posterior à elaboração do relatório. Ela integra um movimento mais amplo de fortalecimento da governança, transparência e confiabilidade da informação ESG.


A qualidade do reporte começa antes da publicação, nas organizações que incorporam a perspectiva da asseguração ao planejamento de seus ciclos de reporte tendem a desenvolver maior atenção à estrutura que sustenta cada informação divulgada. Isso significa compreender não apenas quais indicadores serão publicados, mas também quais são suas fontes, quem responde por sua consolidação, quais metodologias são utilizadas, quais controles estão implementados e quais evidências permitem demonstrar a consistência das informações apresentadas.


Esse amadurecimento é particularmente importante diante do aumento da complexidade do ambiente de sustentabilidade corporativa. Informações ESG estão cada vez mais relacionadas a compromissos públicos, requisitos de cadeias de fornecimento, avaliações de risco, decisões de investimento e financiamento, além de demandas regulatórias e de mercado. Consequentemente, a discussão deixa de ser apenas sobre quanto uma organização divulga e passa também a considerar a qualidade e a confiabilidade daquilo que ela divulga. A asseguração independente contribui justamente para essa transição.


A Ecogest atua de maneira especializada em asseguração independente, preservando a separação entre as atividades de preparação e consultoria e a avaliação independente das informações reportadas.


Esse posicionamento é deliberado. Reconhecemos a importância das consultorias e dos profissionais que apoiam as organizações na construção de suas estratégias, processos, indicadores e relatórios de sustentabilidade. Nosso papel dentro desse ecossistema é complementar: oferecer uma avaliação independente, tecnicamente estruturada e orientada à confiabilidade das informações submetidas à asseguração.


Nesse contexto, a Ecogest possui um importante diferencial no mercado brasileiro: a Ecogest’s GRI Report Assurance Methodology, metodologia de asseguração externa oficialmente licenciada pela Global Reporting Initiative (GRI). O licenciamento reconhece a metodologia utilizada pela Ecogest para a realização de serviços de asseguração de relatórios elaborados com base nas Normas GRI, reforçando nosso compromisso com critérios técnicos, independência e qualidade ao longo do processo.


A partir dessa metodologia, uma equipe multidisciplinar de auditores conduz o processo de asseguração com foco na avaliação da aplicação dos princípios e requisitos pertinentes ao relato, bem como na rastreabilidade dos dados e na validade das evidências que sustentam as informações divulgadas. O objetivo é avaliar se as informações submetidas ao escopo de asseguração encontram suporte adequado em registros, processos e evidências que permitam sua análise por partes externas.


O processo pode contemplar, de acordo com o escopo definido para o trabalho, visitas in loco às instalações da organização, observação das operações, análise amostral de dados, avaliação documental e identificação de oportunidades de melhoria relacionadas aos processos e controles que sustentam as informações ESG reportadas. Ao final do processo, a organização recebe dois importantes produtos técnicos: a Declaração de Asseguração Externa e o Relatório Técnico Detalhado (Memory of Assurance).


A Declaração de Asseguração Externa constitui o documento público que apresenta a conclusão do processo de asseguração, proporcionando transparência sobre aspectos como o escopo avaliado, os critérios e referenciais adotados, as normas de asseguração aplicáveis, como a ISAE 3000, quando pertinente e o nível de asseguração realizado. Dessa forma, o documento permite aos usuários do relatório compreenderem não apenas que houve uma avaliação independente, mas também os limites e as condições em que ela foi conduzida.


Já o Relatório Técnico Detalhado (Memory of Assurance) é destinado ao uso interno da organização e consolida a memória técnica do processo realizado. O documento registra aspectos identificados durante a avaliação, incluindo eventuais inconsistências e oportunidades de aprimoramento, além de apresentar indicadores de qualidade relacionados à rastreabilidade e às evidências analisadas. Com isso, a asseguração também gera subsídios técnicos para o aperfeiçoamento contínuo dos processos internos relacionados à gestão e ao reporte das informações de sustentabilidade.


Como resultado, a organização não obtém apenas uma conclusão independente sobre as informações submetidas à asseguração, mas também elementos capazes de contribuir para o fortalecimento de sua governança ESG, para a melhoria da qualidade dos processos de reporte e para a ampliação da confiança de investidores, clientes, parceiros e demais stakeholders.


Podemos enxergar que a divisão clara de responsabilidade entre as organizações, consultorias e provedores independentes de asseguração contribui para um ecossistema de sustentabilidade mais maduro e fortalece a confiabilidade das informações reportadas. Enquanto que aas consultorias podem apoiar as organizações na estruturação de seus processos, indicadores e na preparação do reporte, a asseguração independente atua posteriormente na avaliação das informações e das evidências que as sustentam, preservando a independência necessária ao processo. Tudo isso permite que cada agente contribua a partir de sua especialidade e ganha ainda mais relevância à medida que as informações ESG passam a subsidiar decisões estratégicas de diferentes stakeholders, tornando a transparência indissociável da necessidade de informações consistentes, rastreáveis e confiáveis. 


Nesse contexto, a asseguração independente tende a ocupar uma posição cada vez mais estratégica. Não porque substitua a governança interna, a qualidade dos processos ou o trabalho realizado por consultorias especializadas, mas justamente porque acrescenta uma perspectiva independente ao conjunto de informações que a organização decidiu tornar público.


Para a Ecogest, esse é o papel central da asseguração: contribuir para que a transparência esteja acompanhada de rigor técnico, evidências, rastreabilidade e confiança. Em um ambiente no qual as informações de sustentabilidade possuem relevância crescente para empresas, mercados e sociedade, a pergunta já não é somente o que uma organização está reportando, mas também qual é o grau de confiança que os stakeholders podem atribuir àquilo que foi reportado.


É nessa resposta que a asseguração independente demonstra seu valor.

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