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Compensar não é reduzir: O papel da compensação de carbono na estratégia de descarbonização

7 de out.
4 min de leitura

O avanço das estratégias corporativas de sustentabilidade colocou a gestão das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) no centro das discussões sobre descarbonização. Cada vez mais organizações elaboram inventários, estabelecem metas climáticas e buscam mecanismos para lidar com as emissões associadas às suas operações e cadeias de valor.


Nesse cenário, a compensação de carbono ganhou espaço como uma das ferramentas utilizadas pelas empresas. No entanto, seu crescimento também trouxe uma questão importante para a gestão climática: compensar emissões não é o mesmo que reduzi-las.


A compra de créditos de carbono pode fazer parte de uma estratégia climática, especialmente para o tratamento de emissões residuais. O problema surge quando a compensação passa a ser tratada como uma solução equivalente à redução direta ou como um caminho capaz de substituir mudanças estruturais nos processos da organização.


Do ponto de vista da gestão das emissões, são mecanismos diferentes. Quando uma empresa melhora sua eficiência energética, substitui combustíveis fósseis, modifica processos produtivos ou implementa tecnologias menos intensivas em carbono, ela atua diretamente sobre suas fontes de emissão. Nesse caso, há uma redução efetiva das emissões associadas à atividade.


Na compensação, a lógica é outra. De forma simplificada, uma organização emite uma tonelada de CO₂e pode adquirir um crédito correspondente a uma redução ou remoção realizada em outro contexto. Mesmo considerando a integridade desse crédito, isso não significa que a emissão original deixou de ocorrer.


Essa diferença é fundamental para compreender por que a compensação deve ocupar uma posição complementar dentro das estratégias de descarbonização. Referenciais técnicos e iniciativas internacionais reforçam justamente essa lógica. A Science Based Targets initiative (SBTi), por exemplo, estabelece a redução das emissões dos Escopos 1, 2 e 3 como elemento central das trajetórias corporativas de descarbonização. Ações realizadas fora da cadeia de valor podem contribuir para a mitigação climática, mas não substituem a necessidade de reduzir as emissões relacionadas às próprias operações e à cadeia de valor.


A ISO 14068-1, relacionada à neutralidade de carbono, também trabalha com uma hierarquia que prioriza ações de redução antes da compensação das emissões residuais. Na prática, isso significa que uma estratégia climática consistente começa muito antes da compra de créditos.


O primeiro passo é mensurar. O Inventário de GEE permite identificar as fontes de emissão da organização, compreender sua distribuição entre os Escopos 1, 2 e 3 e estabelecer uma base técnica para a tomada de decisão.


A partir desse diagnóstico, é possível identificar oportunidades de mitigação, considerando aspectos como eficiência energética, substituição de fontes fósseis, revisão de processos, tecnologias, logística, insumos e outras medidas capazes de reduzir as emissões onde elas efetivamente acontecem.


Essas oportunidades precisam então ser transformadas em planos de mitigação, metas, indicadores e ações, permitindo que a organização acompanhe sua evolução ao longo do tempo. Somente depois dos esforços de redução entra a discussão sobre as emissões residuais, aquelas que permanecem após as medidas de mitigação e que, considerando as condições técnicas e econômicas aplicáveis, não puderam ser eliminadas naquele momento.


É nesse contexto que a compensação encontra seu papel dentro da estratégia, mas mesmo nessa etapa, a simples aquisição de créditos não encerra a discussão. A integridade dos créditos utilizados também precisa ser considerada. Aspectos como adicionalidade, permanência, rastreabilidade e dupla contagem fazem parte da avaliação da qualidade dos mecanismos de compensação. A adicionalidade busca demonstrar que determinada redução ou remoção não teria ocorrido da mesma forma sem o incentivo relacionado ao projeto. A permanência está associada à capacidade de manter o carbono removido e armazenado fora da atmosfera ao longo do tempo. Já os mecanismos de rastreabilidade e os registros contribuem para reduzir o risco de que uma mesma redução seja contabilizada mais de uma vez.


Por isso, uma estratégia climática não deve ser avaliada apenas pela quantidade de créditos adquiridos ou por uma declaração de neutralidade. É necessário observar todo o caminho que sustenta essa alegação.


Quanto a organização emite? Onde estão suas principais fontes? O que está sendo feito para reduzi-las? Quais resultados já foram alcançados? O que permanece como emissão residual? Como eventual compensação foi realizada? E quais evidências sustentam essas informações?


Essas perguntas aproximam a discussão climática de outro elemento fundamental: a credibilidade dos dados. Inventários de GEE, metas, planos de mitigação, resultados de redução e informações relacionadas à compensação precisam ser estruturados com critérios técnicos, rastreabilidade e consistência. Quanto maior a relevância dessas informações para investidores, clientes, órgãos reguladores e demais partes interessadas, maior também a necessidade de demonstrar como os dados foram produzidos e quais evidências os sustentam.


Nesse processo, a verificação independente contribui para avaliar a consistência e a confiabilidade das informações apresentadas pela organização. A gestão climática passa, portanto, por uma sequência integrada: mensurar para compreender, reduzir para transformar, compensar aquilo que permanece residual e verificar para fortalecer a credibilidade das informações.


Por meio de sua frente de consultoria, a Ecogest apoia organizações na elaboração de Inventários de GEE e no desenvolvimento de Planos de Mitigação, contribuindo para identificar fontes relevantes de emissão, oportunidades de redução e caminhos para estruturar a gestão climática.


Na frente de avaliação da conformidade, atua na verificação independente de Inventários de GEE e em processos relacionados à neutralidade de carbono, agregando uma camada de avaliação técnica às informações apresentadas pelas organizações. Essa integração é especialmente relevante porque a descarbonização não deve ser tratada como uma ação isolada ou limitada à aquisição de créditos. Ela depende da conexão entre dados, estratégia, redução, acompanhamento e credibilidade.


A compensação de carbono, portanto, não precisa ser colocada em oposição à descarbonização. Ela pode integrar a estratégia, desde que ocupe o lugar adequado dentro dela. O risco está na normalização da compensação como substituta da redução.


Uma estratégia climática consistente precisa demonstrar que a organização conhece suas emissões, identifica suas principais fontes, estabelece prioridades, implementa medidas de mitigação e acompanha sua evolução. A compensação pode ser utilizada para lidar com aquilo que permanece residual, mas não substitui a transformação necessária para reduzir as emissões brutas.


No fim, a pergunta mais relevante não é apenas quanto uma organização compensou, mas quanto ela conseguiu efetivamente reduzir e qual trajetória está construindo para continuar reduzindo.

É essa trajetória, mensurável, rastreável e sustentada por evidências — que fortalece a credibilidade dos compromissos climáticos e transforma metas de descarbonização em gestão efetiva.


Sua organização já conhece suas principais fontes de emissão e possui uma estratégia estruturada para reduzi-las?


A Ecogest apoia empresas desde a mensuração e estruturação de Planos de Mitigação até a verificação independente das informações climáticas, contribuindo para transformar dados de emissões em decisões e compromissos em resultados.


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