Qual é o caminho do Net-Zero?
Atualizado: 23 de set.
Da mensuração das emissões à construção de uma estratégia de descarbonização
A transição para uma economia de baixo carbono vem mudando a forma como as organizações avaliam riscos, planejam investimentos e estruturam suas estratégias de longo prazo. Nesse cenário, compromissos relacionados ao Net-Zero ganharam espaço nas agendas corporativas, acompanhados por uma necessidade cada vez maior de demonstrar, com dados e critérios técnicos, como essas metas serão alcançadas.
Mais do que estabelecer um compromisso futuro, uma estratégia de descarbonização precisa partir do conhecimento sobre a realidade atual da organização. Antes de definir onde pretende chegar, é necessário compreender quando se emite, onde estão concentradas essas emissões e quais fontes representam os principais desafios e oportunidades de redução.
É justamente nesse ponto que a experiência da Ecogest com inventários de emissões e processos de verificação se conecta à jornada de descarbonização. A construção de uma estratégia climática consistente começa pela qualidade das informações utilizadas para orientar as decisões.
O Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) permite identificar e quantificar as emissões associadas às atividades de uma organização e estabelecer uma linha de base para acompanhar sua evolução e de acordo com a estrutura utilizada pelo GHG Protocol, essas emissões são organizadas em três escopos.
O escopo 1 reúne as emissões diretas provenientes de fontes que pertencem ou são controladas pela própria organização, como combustão em equipamentos, processos industriais e veículos próprios. Agora o escopo 2 contempla as emissões indiretas relacionadas à aquisição e ao consumo de energia.
Já o Escopo 3 amplia a análise para a cadeia de valor, incluindo outras emissões indiretas relacionadas a fornecedores, transporte, resíduos, viagens, uso de produtos e demais atividades associadas à operação.
Em muitas organizações, compreender o Escopo 3 é especialmente importante, já que uma parcela relevante das emissões pode estar distribuída ao longo da cadeia de valor, mas a elaboração do inventário, por si só, não encerra essa etapa. A qualidade dos dados, a rastreabilidade das informações, os critérios adotados e as evidências utilizadas são fundamentais para determinar a confiabilidade dos resultados apresentados.
É nesse contexto que a verificação independente realizada por um Organismo de Verificação, como a Ecogest, ganha relevância. Ao avaliar as informações declaradas e as evidências que sustentam o inventário, o processo contribui para aumentar a confiança nos dados que servirão de base para as próximas decisões da organização.
Depois de compreender o perfil das emissões, a organização pode avançar para uma segunda questão, onde e como reduzir.
O inventário permite identificar fontes mais representativas e direcionar esforços para pontos com maior potencial de mitigação. Dependendo da operação, isso pode envolver eficiência energética, substituição de fontes de energia, mudanças em processos produtivos, logística, fornecedores, gestão de resíduos ou outras medidas.
Nesse estágio, a descarbonização deixa de ser apenas uma discussão ambiental e passa a fazer parte do planejamento estratégico. Os projetos de redução podem demandar investimentos, mudanças operacionais e decisões relacionadas a CAPEX (Despesas de Capital) e OPEX (Despesas Operacionais). Por isso, uma trajetória de descarbonização precisa considerar não apenas a intenção de reduzir emissões, mas a capacidade de transformar essa intenção em ações mensuráveis e acompanhadas ao longo do tempo.
Para a Ecogest, essa relação entre dados e tomada de decisão é um ponto importante da gestão climática. Quanto mais consistente for a base de informações da organização, maior será sua capacidade de identificar prioridades, acompanhar resultados e demonstrar a evolução de suas emissões.
A definição de metas é uma das etapas mais conhecidas da jornada de descarbonização, mas também uma das que exigem maior coerência entre compromisso e capacidade de execução. Nesse processo, iniciativas como a Science Based Targets initiative (SBTi) estabeleceram metodologias para orientar a definição de metas de redução alinhadas à ciência do clima.
Nesse processo, definir uma meta não significa apenas estabelecer um percentual de redução ou uma data futura. É necessário compreender a linha de base utilizada, quais emissões estão contempladas, quais premissas sustentam a trajetória proposta e de que forma os resultados serão monitorados.
Essa discussão se torna ainda mais relevante quando o compromisso envolve Net-Zero, pois uma trajetória Net-Zero pressupõe reduções profundas das emissões ao longo do tempo e o tratamento adequado das emissões residuais após a implementação das medidas de redução.
Por isso, metas climáticas dependem diretamente da qualidade das informações utilizadas desde o início do processo. Se o inventário que sustenta a linha de base apresenta inconsistências, a própria capacidade de acompanhar a evolução da meta pode ser comprometida.
É também por essa razão que a Ecogest reforça a importância da verificação das informações de emissões. Antes de acompanhar uma trajetória futura, é necessário ter segurança sobre o ponto de partida.
À medida que compromissos climáticos passam a integrar relatórios corporativos, estratégias financeiras, relações com investidores e posicionamentos públicos, cresce também a responsabilidade sobre aquilo que é comunicado.
Não basta afirmar que houve redução de emissões, é necessário demonstrar de onde vieram os dados, quais critérios foram utilizados, quais limites foram considerados e quais evidências sustentam os resultados apresentados.
A verificação independente exerce um papel importante nesse processo porque adiciona uma avaliação técnica de terceira parte às informações declaradas pela organização. Como Organismo de Verificação (OVV) acreditado pela Cgcre do Inmetro, a Ecogest atua na verificação de Inventários de Emissões de GEE, avaliando informações, evidências e critérios utilizados pelas organizações.
Esse processo contribui para identificar inconsistências e fragilidades, além de aumentar a confiabilidade das informações que serão utilizadas para reporte, acompanhamento de metas e tomada de decisão. Em um ambiente no qual empresas são cada vez mais cobradas pela consistência de suas declarações ambientais, a rastreabilidade e a verificabilidade das informações também se tornam elementos importantes para reduzir riscos associados ao greenwashing.
O caminho para o Net-Zero não começa quando uma organização anuncia uma meta e não termina quando publica um relatório, ele começa na capacidade de compreender as próprias emissões, estabelecer uma base confiável, identificar oportunidades de redução, definir metas coerentes e acompanhar continuamente os resultados.
Ao longo dessa trajetória, inventários de GEE, metodologias reconhecidas, qualidade dos dados e processos independentes de verificação ajudam a transformar compromissos climáticos em informações que podem ser acompanhadas e demonstradas. É nesse processo que a Ecogest atua: contribuindo para trazer confiabilidade técnica às informações que sustentam a gestão das emissões e as decisões relacionadas à descarbonização.
Porque, antes de comunicar onde uma organização pretende chegar, é preciso conhecer com segurança o ponto de partida e conseguir demonstrar a evolução desse caminho.


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